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Arquivo de 'Opinião'

Le Cliché

setembro 4th, 2010 by Jeff Skas, under Histórias, Mundo da Propaganda, Música/Radiola, Opinião, Vídeos. No Comments

Sou partidário da premissa que uma idéia que precise explicação já é uma idéia ruim. Se você precisa explicar para ser entendido, você já está na contramão do princípio básico da propaganda, a comunicação. Se você não comunicou a idéia, se ninguém entendeu, certamente você não chegou a lugar algum.

Mas interessante é quando algo lhe chama a atenção, você gosta, cria simpatia e além disso a idéia foi muito bem planejada e tem muito fundamento. Tem Nexo como provavelmente diria ‘Walter Longo’. Assim é o comercial ‘Le Cliché’ da ótima empresa ‘Max Haus’, uma espécie de estúdio de arquitetura, com idéias criativas, descoladas e hightech, mas que certamente não é para o seu bico e muito menos para o meu. O conceito é transformar um quadrado sem graça, como é todo apartamento em uma grande cidade, em algo super diferente. Ou seja, da janela para fora seu apartamento é igual a todos os outros do prédio, da janela para dentro, não.

Não entendi muito bem, mas o comercial que está passando agora aqui no sul, foi criado no final de 2009. Acredito que deva ser pelos novos projetos da empresa em Santa Catarina. Afinal, eles não podem só fazer os apartamentos dos ricos descolados, atarefados e estressados de São Paulo, precisam fazer o apartamento deles quando estão de férias, nas praias catarinenses.

Vontando ao comercial, o tema é mostrar quatro apartamentos, onde as únicas diferenças são as pessoas. No resto é tudo igual, sem graça, sem vida, sem personalidade. O mais bacana do comercial fica claro, por conta da trilha, criada especialmente para o comercial. Cantada em um tipo de portucês ou franguês, é na verdade uma sática com a língua francesa, falando palavras que parecem francês mas que fazem sentido no nosso idioma, porém algumas palavras são realmente em francês.

A escolha do idioma tem uma explicação inteligente, é uma referência ao Neoclassismo, um movimento cultural nascido na Europa, nos meados do século XVIII e que durou até meados do século XIX. Era um movimento com influências no iluminismo que tem por base o racionalismo.

Na arquitetura este movimento se caracterizava principalmente pelas linhas retas, simples e simétricas. Algo que vemos com frequência em prédios residenciais.

Acompanhe o vídeo:

Acompanhe a letra:

Cest tout La memme chose /
La memme façon /
Tan cacete /
Quils projet ma vie /
Tan cotidian /
Tan sem sal /
Tan sem class /
Quils projet ma vie /
Depois põe um nome francês /
Aí põe um nome francês /
Cest tout tan sacal /
La memme merde /
Tan chatô /
Que eles pense ma vie /
Tout tan igual /
Tan ordinário /
Tan sem sal /
Queles pense ma vie /
Depois põe um nome francês /
Aí põe um nome francês /
Cest tout la memme chose /

O slogan “More na sua época” faz justamente referência ao neoclassismo que terminou sua grande influência há 2 séculos. Tentando mostrar a idéia de desejarmos morar em algo que tenha a cara do nosso tempo. Outro conceito da Max Haus que vai de encontro as idéias do neoclassismo é o fato de não delimitar tanto cada espaço, como é uma forte caracterísca deste movimento.

Ps.: O engraçado é que para mim e para a Lú, faz todo sentido, moramos em vários apartamentos e como ficamos muito em casa, sempre nos sentimos presos em uma caixa. Em Timbó, estão construindo prédios novos, todos os dias e sempre que vemos um falamos: “-Olha lá, mais um quadrado sendo feito”. Porque vamos combinar, construtoras e empreendedores da construção civil, nunca devem ter morado em um apartamento. Claro, estou falando de apErtamentos de 70m², o tamanho clássico, prédios de menos de 5 andares para não gastarem com o elevador, uma vaga na garagem (quando tem), uma sacada para teoricamente você ter um pouco de sol, mas saiba que suas roupas nunca terão cheiro de limpa e um condomínio caríssimo, mesmo não tendo qualquer justificativa para sua cobrança e imobiliárias que mais parecem cobrador de traficante.

Coloridos – Mais do Mesmo

setembro 2nd, 2010 by Jeff Skas, under Opinião. No Comments

Depois da moda adolescente dos famigerados ‘emos’, a galera que não pegava sol e gostava de se vestir de preto, num clima meio gótico de boutique, é a vez dos chamados ‘coloridos’, que é uma denominação estranha quando imagino que ‘coloridos’ também é uma gíria para denominar o público gay. Será que uma coisa está ligada a outra? Não sei, talvez.

Mas o tópico não é para avaliar a sexualidade da garotada que está mais liberal do que deveria. É uma observação que eu já faço há muito tempo sobre a moda de forma geral. Se existe um mundo de pouquíssima criatividade é certamente a MODA. Afinal, toda coleção, seja da grife que for, sempre é inspirada em alguma coisa do passado. Eles vão passando década por década em um ciclo contínuo e infinito. Ser original em moda é como dizer que inventou uma piada. Você pode jurar que foi você que fez, mas alguém certamente já conhecia.

Todas as entrevistas que vejo com a galerinha jovem que se auto denomina ‘colorida’, parecem ter inventado a pólvora. Se sentem realmente revolucionários, únicos, criativos ao extremo. Mas a gente nem precisa ir muito longe para ver que já tinha banda se vestindo bem mais colorido, muito antes de Restart, Cine e Cia pensarem em usarem roupichas coloridas.

Querem algo mais colorido que Beatles durante o lançamento do seu oitavo álbum, “Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band” de 1967? Mais de quatro décadas antes desta garotada subir em um palco. E as comparações não param aí, o que dizer dos cabelos que eles usavam? Que na época era motivo de gozação pela imprensa, que perguntava o que meu avô pergunta toda vez que me vê com o cabelo um pouco mais comprido: Não tens tesoura mais?

Hoje nenhum deles deixaria de estar bem atualizado com seu corte de cabelo desarrumado.

Talvez se teve alguém que realmente inventou alguma coisa sejam exatamente eles, ou ainda, se olharmos mais para trás, vamos ver influências de outros artistas. Por isso ter a prepotência de se sentir criador de algo, só revela uma coisa, não o tamanho da sua arrogância, mas o tamanho da sua ignorância sobre os fatos.

Banda Calvin

agosto 31st, 2010 by Jeff Skas, under Música/Radiola, Opinião. 2 Comments

Se tenho uma grande frustração na vida é não ter nascido com qualquer talento para música, a não ser pelo ‘talento’ para ouvir música boa. Enquanto o rock no Rio Grande do Sul faz escola há muitas décadas, Santa Catarina não conseguiu produzir nada que mereça destaque. Desde que a banda gaúcha Cidadão Quem se tornou cliente da The Moon há 5 anos, meu contato com a música do sul se tornou ainda mais forte, podendo acompanhar muito mais bandas que ainda não figuram na rádio.

Isso porque Duca Leindecker, vocalista da Cidadão Quem (agora dividindo o palco ao lado de Humberto Gessinger dos Eng. do Hawaii, outro ícone do rock nacional), possui um estúdio onde produz muita gente boa. De bandas iniciantes até bandas consagradas, passaram pelas mãos e ouvidos afinados do Duca. Atualmente quem está ocupando o estúdio para a gravação de um novo cd é outra banda famosa do sul, o Nenhum de Nós.

Eu acompanho há algum tempo e em silêncio, uma banda catarinense, mais precisamente de Timbó, chamada Calvin. Apesar de serem garotos ainda, os caras já estão na batalha a muito tempo. Com influências de bandas interessantes como Weezer, FooFighters, SmashPumpkins e a nacional Los Hermanos, seguem o estilo de rock bem contemporâneo, próximo ao estilo de NXZero e Fresno, mas com variações próprias bem particulares, como você percebe ao ouvir “Depois da Chuva” de 2008. A evolução sonora e a maturidade musical fica evidente comparando composições de 2006.

“O Barco e o Bêbado” já se vende pelo belo título e tem um tom bem mais denso e melancólico, algo no estilo de “Sentimental” dos Los Hermanos, apenas com voz e violão. O último single da banda é “Verniz” e como se compra um livro pela capa, de títulos para singles os garotos mandam bem.

No conjunto a banda promete despontar a qualquer momento, tem estilo, cantam bem e tem atitude, infelizmente no Brasil todo mundo que trabalha com arte é assim, 3 ou 4 dividem o filé e todo o resto fica roendo o osso até que alguém decida dar o espaço merecido.

A banda vem levando a carreira da maneira que podem e como acontece com muitos, teve que dar uma pausa na carreira em dezembro de 2009 para conseguir tocar a vida. Os planos eram voltar com tudo em 2011 mas a convite da Fundação Cultural de Timbó o grupo se reuniu para uma apresentação especial, por enquanto o único show que a banda pretende fazer este ano.

Vale a pena você acessar o MySpace dos caras e ouvir as músicas. Assim você aprende que para ouvir música boa não precisa ir muito longe não.
No dia 11 de setembro, eles se apresentam no Fescati em Timbó, abrindo para os bocós da HORI que apesar da contradição está bem abaixo da qualidade dos garotos de Timbó. Mas fazer o que? Nem todo mundo nasce filho do Fabio Jr, não é mesmo?

Mas já que o show é antes, você pode conferir eles e quando o Fiuk entrar para cantar as músicas sem graça do pai dele, você sai e vai para uma balada qualquer.

My Space – www.myspace.com/bandacalvin

Chega 2012… chega logo…

agosto 20th, 2010 by Jeff Skas, under Bobagens, Opinião. No Comments

Como já era de se esperar, na atual realidade da internet brasileira, onde todo mundo se lança em qualquer bizarrice para fazer sucesso na rede, a política já tão conhecida por suas bizarrices em slogans de gosto duvidoso, apelidos esquisitos e estratégias pra lá de ‘diferentes’, não poderia se esperar outro resultado dessa mistura bombástica: Internet + Eleições 201o.

E o Trending Topics Brasil no Twitter (assuntos mais comentados), já aponta as primeiras figuras que vão aparecer até as eleições em outubro. A bola da vez é um candidato chamado Lindolfo Pires, que teve a ‘genialidade’ de transformar ‘Just beat it’ em ‘Lindolfo Pires’. Estou quase achando que a criação da música tem participação da Solange, aquela antiga participante do BBB.

Lindolfo Piiiiiiiiiiires Piiiiiiiiiiiiiiiires…

É PÁ CÁ BÁ

E na onda já vem outro, agora com o clássico do Queen, claro que Santa Catarina não iria ficar de fora. Conheça Claudir, ouça o jingle!

Ps.: Sem comentários da matéria errando o nome da cidade, Bal. CambUriú e dizer que é uma paródia de hit gay? Essa música é um hit no mundo inteiro. A referência ficou bem apelativa e sem qualquer veracidade, se ele tivesse usado “I Will Survive”, concordaria que é um hit gay.

Familie Gibis

agosto 19th, 2010 by Jeff Skas, under Opinião. 1 Comment

Fazem alguns dias que não publico nada por aqui, mas foram bons motivos me afastaram um pouco do blog. Novos clientes em várias regiões do país, de Porto Alegre ao Piauí. Fiquei mais velho na terça-feira, 28 anos e o mais interessante, tive a felicidade de conhecer três pessoas muito especiais.

Alex, Susi e o pequeno Jakob formam uma linda família que, em setembro de 2009, deixou a Alemanha para viver uma aventura pela América Latina. Há mais de 10 meses estão viajando de carro (Max como é chamado), que aliás, também veio da Alemanha. A viagem que iniciou em Buenos Aires passou pela Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Brasil e agora seguem rumo ao Rio Grande do Sul, Uruguai e retornam para a Argentina, onde embarcam em setembro, de volta para casa.

Conhecemos essa linda família na segunda-feira, quando minha irmã fotografou o carro, intrigada com seu país de origem. Para a sua surpresa, ao invés de incomodados, abriram um sorriso e cumprimentaram ela. Como minha mãe fala alemão, o idioma não foi um problema, então convidou-os para jantar em sua casa onde pelos acasos da vida, tive o prazer de encontra-los. No outro dia, aceitaram vir até a minha casa, em Timbó, comemorar meu aniversário, junto com a minha pequena família.

Conversar não foi problema, já que grande parte das pessoas falam alemão. Eu no entanto, pedia para que minha mãe traduzisse o pouco que conseguia conversar. No fim da noite, convidei-os para ficar em Timbó e dormir aqui, assim tomariam café conosco e conheceriam a cidade. Detalhe, não falo nada em inglês e alemão. Usei o tradutor do iPad durante o café, porém ao sair de casa para mostrar Timbó, a internet não poderia me ajudar. Arrisquei meu fraco inglês e gentilmente eles me entenderam. Até conversamos bastante, para meu próprio espanto.

Jakob de apenas 2 aninhos, não tirou o sorriso do rosto, nem por um segundo, nestes 3 dias que estivemos juntos, assim como Alex e Susi, provando que existe um idioma que é universal, o do coração. Quando pedi para conhecer o carro que eles viajam, confesso que me emocionei demais, ao ver aquela família tão bonita, de olhos claros, de sorriso fácil e de bondade extrema, ter sua vida reduzida a um espaço tão simples e pequeno. Não sei qual exatamente o motivo, talvez seja o pó, que contava em silêncio, por onde passaram e as boas pessoas que conheceram e estar alí, conversando com eles, era algo que me emocionou demais.

Nossa identificação foi imediata, talvez por estarem realizando um sonho que alimento junto com a Lú, há muito tempo. Alex me disse frases que certamente, só o pó da estrada lhes ensinou ao longo destes 10 meses. Me disse por exemplo, que mais valioso do que tudo que eles podem acumular dentro de uma casa, é tudo aquilo que eles podem ver olhando pela janela.

Eles me contaram um pouco sobre suas vidas na Alemanha, ele policial, ela enfermeira. E falaram principalmente das motivações da viagem. O carinho e a atenção entre os três não se alterou em nenhum momento, mais que uma família, mostrou que eram parceiros nesta aventura. Jakob inteligente e curioso, repetia qualquer palavra em português, queria saber tudo: - ‘Was ist das Mama?’ – ‘Was ist das Mama?’

Susi, carinhosa lhe explicava pacientemente tudo. Incrivelmente, o que ele mais se encantou na minha casa foi o bebedouro de água. Ele aliás, adora beber água. Ele também adorou a minha prateleira de personagens de desenho animado, levou de presente o pequeno Nemo, que ele reconheceu de imediato. Peixes parecem ser uma paixão na pequena cabeça deste prodígio. A grande preocupação desta aventura, na cabeça de Alex e Susi sempre esteve voltada para o pequenino Jakob, se ele seria exposto a muito perigos e como ele iria entender o fato de conhecer pessoas e ter que se despedir no dia seguinte.

Estas três pessoas, em toda sua simplicidade e nossa pequena barreira de idiomas, mudaram muitas coisas dentro de mim, não me tornei outra pessoa do dia para a noite, mas certamente a semente que eles deixaram, deverá florecer. Antes de nos despedirmos, pedi aos dois, se me dariam um abraço, eles novamente com um sorriso no rosto disseram que sim, durante aquele breve momento eu desejei dentro de mim que Deus continuasse protegendo-os durante o restante de sua viagem e principalmente ao longo de suas vidas.

Quando me encaminhava para deixa-los, Alex segurou meu braço e disse:

” – Jeff, you NEED live your Dreams “

Respondi dizendo:

” – Goodbye, but not forever “

Alex então me disse:

” – We see in Germany “

AMÉM!

Você pode acompanhar toda essa linda aventura, no site que eles mantém: www.reisetraum-panamericana.de