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Joãozinho Trinta

março 5th, 2010 by Jeff Skas, under Opinião. No Comments

Há poucos posts eu havia citado uma frase do carnavalesco Joãozinho Trinta. Hoje pesquisei melhor entre as inúmeras versões diferentes e encontrei a entrevista original concedida ao Fantástico há 30 anos.

“Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta mesmo é de luxo”

Na época, a frase que após trinta anos se revelaria profética, rendeu muita discussão e muitas críticas. Mas é interessante imaginar, como realmente ela faz muito sentido. Um exemplo muito claro disso é o SBT. Durante muitos anos, a emissora apostou no brega, no feio, na falta completa de estética. O som era ruim, a imagem era ruim, a qualidade gráfica era ruim, quase como um ‘padrão de má qualidade’.

Para ser popular, para dar certo, para ser aceito, tinha que ser daquele jeito ‘mal feito’.

Hoje o SBT investe em programas como o 1×100, apresentado pelo publicitário que representa o estereótipo do luxo, do high society, da sofisticação, do macro business. É clara a inversão de conceitos. Durante muito tempo se pensou que pobre gostava de coisas de qualidade duvidosa. Na verdade era só o que ele podia comprar. No Brasil, existe uma tradição de que tudo que é barato, necessariamente é porcaria.

Hoje porém, você percebe que até as lojas de ’1,99′ passaram a vender produtos mais caros para manter sua clientela.

Empresas que investem no bom, bonito e barato, estão prosperando e certamente farão parte das empresas que cairão no gosto de mais e mais consumidores. Até pouco tempo, o pobre achava que não merecia algo bom, que o restaurante barato, podia ter barata. Que a roupa barata poderia perder a cor na primeira lavagem. Mas hoje este público emergente, sabe que tem poder dentro da linha de consumo e que ele pode exigir mais, por menos.

Casas Bahia, Ponto Frio, Pão De Açúcar, Magazine Luíza continuam mantendo a imagem de ‘loja popular’, mas hoje parcelam televisores LCD Full HD 42”. O pobre quer ver a novela em High Definition.

Há muito tempo que eu falo disso. Produto hoje, sendo para o luxo ou para o popular só pode ter uma diferença: o preço. Empresas que ainda acreditam que produtos de baixa qualidade, pouca garantia e curta durabilidade vendem, estão com os dias contados. A exigência está aumentando, as pessoas estão ‘se dando ao luxo’ de ter aquilo que almejam. Todo mundo quer ter um iPod, mesmo que seja para ouvir o Calcinha Preta.

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