Tudo tem um fim, que bom.

Nesta última terça-feira, 20, chegou ao fim a edição 2011 do programa ‘O Aprendiz’ da Rede Record. Sem dúvida a edição mais esculhambada da história. A vergonha alheia tomou conta dos episódios do programa que teve inúmeras demissões por falha de caráter de alguns participantes. Teve de tudo que você pode imaginar e até o que você nunca imaginaria, infelizmente o título ‘O Aprendiz’, não é ou não deveria se referir a conduta ética dos participantes, que a todo momento foi colocada em xeque.

No dia da grande final, João Doria Jr. aproveitou para entrevistar alguns participantes eliminados. Rodrigo Fittipaldi que foi um dos participantes mais arrogantes da edição, aproveitou para soltar mais uma pérola de humildade. Questionado sobre o maior aprendizado que adquiriu durante o programa respondeu: ‘aprendi a lidar com a limitação alheia’. Afinal, ele não possui nenhuma limitação.

Fernando Gonçalves e Rodrigo Corrêa foram demitidos por usar o nome de pessoas importantes do mercado empresarial brasileiro, com o intuito de obter benefícios através do prestígio dos mesmos.  A situação vexaminosa obrigou o programa a gravar um depoimento com o José Eduardo de Souza, presidente da ABEOC (Associação Brasileira de Empresas de Eventos). Fernando passou a ligar para empresas, dizendo que José Eduardo de Souza estaria envolvido de alguma forma com o evento que estavam promovendo. Além disso, João Dória trouxe diretamente ao programa, a empresária Elvira Viedma, para fazer uma retratação pública, após Rodrigo Corrêa induzir outra participante a se passar pela secretária da empresária em uma ligação.

Detalhe: A participante era Renata Tolentino, finalista do programa. Apesar do discurso inflamado de João Dória, a falta de ética e de discernimento dela, não a impediu de chegar até a final do programa, o que já demonstra a fragilidade dos candidatos.

Ana Carla Abdalla Zanoni quase foi demitida por se maquiar demais. Em seu vídeo de apresentação, o narrador declara: ‘Ana Carla tem um assunto preferido: Ela mesma’. Teve participante que durante  uma prova com moradores de rua, achou importante colocar nos ítens da pesquisa que iriam realizar com eles, seus ‘hábitos alimentares’, é mole?

Rodrigo Fittipaldi foi para inúmeras salas de reunião e em todas usou sua capacidade de convencimento como advogado formado, para escapar das demissões. Eu poderia escrever um livro sobre as burradas e incompetências desta edição. E não se trata apenas da opinião de alguém que está analisando tudo de fora, grande parte dos erros cometidos, são princípios básicos de uma vida profissional, são atitudes simples, erros infantis de interpretação e desvios de conduta lamentáveis.

A Final

Após citar estes casos, preciso frisar que nenhum deslize foi tão vergonhoso como a trapalhada feita pelo próprio João Dória, que ao vivo, durante a final do programa, ao anunciar a premiação do vencedor, trocou o nome da principal patrocinadora do programa KIA por FIAT. No dia 10/11 o programa realizou uma prova com a KIA e seu automável Picanto. O assunto virou uma grande saia justa, parando nos Trending Topics do Twitter, principalmente por João Dória ter demitido Bruna Giardino, usando como um dos argumentos, o fato da participante errar o nome da empresa que patrocinava a tarefa em questão. Será que era o caso de demitir João Dória e trazer o Justus de volta?

A transmissão ao vivo da Record é lamentável, é uma área que o canal precisa aperfeiçoar. Tudo isso refletiu na audiência que foi um grande fracasso, apenas sete pontos de média, sendo a pior da história do programa, seguida pela péssima audiência da edição 2010, quando João Dória assumiu o programa. É no mínimo contraditório um programa que fala de empreendedorismo, não conseguir transformar o programa em um sucesso de audiência.

No balanço final o programa é um retrato vergonhoso de como, parte do mundo empresarial pensa, onde o discurso é capaz de garantir uma vaga, onde um currículo bonito tira a vaga de alguém competente, de outra forma o programa conseguiria participantes mais competentes.

- É um péssimo exemplo de respeito ao próximo, ninguém respeita ninguém.
- É um péssimo exemplo de falta de companherismo e covardia, nas salas de reunião,  todo mundo só pensa em ‘livrar o seu da reta’.
- É um péssimo exemplo de como lidar com a derrota.
- É um péssimo exemplo de coerência, o que demite alguém hoje, salva alguém amanhã.
- É um péssimo exemplo de insubordinação e falta de educação, as salas de reuniões viram uma Torre de Babel, ninguém se sente constrangido de discutir ou levantar a voz com os próprios conselheiros e com o apresentador.

No mundo real, discutir com o chefe desta maneira, certamente renderia uma demissão por justa causa. O Aprendiz é um desserviço para a criação do conceito de empreendedorismo e principalmente para o mundo da propaganda, onde se concentra grande parte do público que assiste o programa, talvez pela tradição que o programa produziu na época do Roberto Justus.

Qual será o futuro do O Aprendiz em 2012?

1 Comments

  1. Meu sócio e eu comentávamos a estupidez que virou esse programa. A verdadeira zona na qual se tornou a sala de reunião não merece nenhuma audiência. Sem falar nas inúmeras outras coisas que vc citou. Parabéns pelo artigo e pelo site, conteúdo relevante! Abraço!

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    Since 1982.
    Dos seus vinte e oito anos de vida, treze em frente ao computador, em departamentos de criação, o que lhe rendeu inúmeras conquistas, entre elas, três vértebras desgastadas, por exemplo.

    Começou a trabalhar aos treze anos com o objetivo de comprar uma lata da Legião Urbana, o que fez de fato, oito anos depois. Com um futuro promissor como ilustrador, trocou papéis, lápis e nanquim pelo mouse, com a intenção de ganhar mais dinheiro, ledo engano. Sonhava em ser líder de uma banda de rock, apesar de nunca ter aprendido um acorde no violão que ganhou do avô na 1ª comunhão. Por pura procrastinação não fez crisma e hoje nem frequenta igrejas.

    Deu o primeiro beijo somente aos 16 anos com a ajuda indispensável de seis copos de Cuba Libre, comprados de forma ilegal (a qual não vou explicar aqui).

    Acreditava na amizade entre homens e mulheres (bonitas), o que sem dúvida o impediu de pegar umas amigas 'interessantes', afinal não queria 'estragar a amizade'. Mesmo não sendo mais amigo de nenhuma delas hoje em dia.

    Teve o coração partido umas 10 vezes, no mínimo. É incapaz de fazer mal a qualquer pessoa (que não mereça). Discute por qualquer assunto e acredita que sempre tem a razão. Sempre, entendeu?

    Compra livros que nunca vai ler, baixa cds com capas interessantes, inclusive um de música típica russa. Ouve essas mesmas músicas em volume baixo por vergonha dos vizinhos, mesmo tendo um vizinho que ouve tecnobrega, foró e funk.

    Jura que quando canta está arrasando, apesar de que algumas gravações facilmente comprovem o contrário. Gosta de filmes sobre: paixões que não aconteceram, pessoas estranhas e e gente solitária.

    Quer conhecer o mundo, mas o mais perto de uma viagem internacional que ele chegou, foi trazendo umas muambas do Paraguai (fora da cota).

    É apaixonado por São Paulo. Gosta de pão com mortadela Ceratti do mercado municipal. Gosta de queijo Cedrense, de cidades grandes e detesta dormir cedo.

    Pode se tornar extremamente mal educado quando ofendido sem motivações aparentes. Possui todos os defeitos do mundo. É odiado por um monte de gente em sua profissão, que no fundo queriam ser seus amigos. Diz que precisa falar inglês por ser importante para a profissão, mas no fundo quer assistir Friends sem legenda. Ouve música no repeat, sempre acredita nas pessoas e só fica calado quando tem razão.

    Choco Leite e capilé fazem lembrar da infância o que faz sentir saudades do seu pai. Compra produtos por causa da embalagem e seu mais novo sonho de consumo é uma TV de LED 3D da LG.

    Seu nome real é Jefferson Gelezauskas, abreviou para Jeff Skas porque cansou de responder as perguntas:
    1. Como se pronuncia 'isso' (?!?)
    R. Se pronuncia como se lê.
    2. É polaco?
    R. Não, não é polaco.
    3. É Gelezauski?
    R. Não, não é polaco.
    4. Soletra pra mim?
    R. G-E-L-E-Z-A-U-S-K-A-S.
    5. Diferente né?
    R. Sim, é... 'diferente'.
    6. Que origem é isso?
    R. É lituano.
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    R. Daqui onde? Terra? Não.
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    R. VTNC...

    Atualmente mora em Florianópolis, é Diretor de Arte da agência Free Multiagência, Diretor de Marketing da Associação Brasileira de Parapente e paralelamente mantém seu projeto da The Moon.

    Garante que o fracasso nunca subiu a sua cabeça.

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