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Coca-Cola vs Coca-Cola Zero

agosto 4th, 2010 by Jeff Skas, under Mundo da Propaganda, Opinião. No Comments

Se você não quiser assistir o vídeo, não precisa, eu explico. Esta é uma ação criada pela Coca-Cola na Espanha, para tentar demonstrar aos consumidores que podem substituir o consumo da Coca-Cola ‘comum’ pelo seu similar, com zero calorias. A idéia apesar de parecer em interessante no primeiro momento, traz um fator que não podemos ignorar, você precisa ter um péssimo paladar para achar que as duas versões tem o mesmo gosto.

Talvez o único refrigerante que chega perto de ser bom, na versão zero, é o Guaraná Antarctica (bem gelado de preferência, que disfarça mais).

Na minha concepção é óbvia a tentativa da Coca-Cola de continuar prendendo seus antigos consumidores de Coca-Cola, que deixam de consumir o produto pela sua óbvia relação ao ganho de peso. É como lançar um cigarro que não provoca câncer.

Eu sou da opinião que, se for para comer um bife de soja, prefiro comer peixe. Se for para tomar Coca-Cola Light ou Zero, prefiro água.

A estratégia da Coca-Cola vai de encontro ao que vemos todos os dias na propaganda around the world. O consumidor está cada dia mais interado da sua importância e poder de decisão. Continuar batendo nesta tecla é algo que certamente ineficaz. De qualquer forma, as pessoas trocam o seu direito de escolha por participar de uma ação sem graça e acham tudo divertido. Claro que pesa nestes momento o nome Coca-Cola. Se fosse uma ação do Guaraná Dolly, ninguém iria achar divertido.

Com o crescimento de mais formas de comunicação, um dia isso tudo para de ser ‘divertido’ e passa a ser invasivo. Pela primeira vez, não gostei de algo feito pela Coca-Cola.

Não sei…

abril 25th, 2010 by Jeff Skas, under Opinião. No Comments

Há muito tempo que deixo impresso em diversos artigos neste blog, minha incapacidade de fazer parte de um perfil que a cada dia ocupa mais espaço no mundo da propaganda. Principalmente entre os jovens estudantes de propaganda e moda, o vírus da soberba parece fazer cada dia mais vítimas que imergem em sua própria arrogância.

É engraçado como relevância e arrogância tendem a ser inversamente proporcionais. Pessoas relevantes para um segmento profissional ou social geralmente são pessoas livres de qualquer necessidade de ostentação.

Hoje assistindo o programa ‘GNT Fashion’ com apresentação da Lilian Pacce, mais um exemplo da afirmação acima. Ela apresentou a exposição ‘Journey of a Dress’, uma retrospectiva da carreira da estilista Diane Von Furstenberg que acaba de entrar em cartaz em São Paulo. Lilian fez uma entrevista com Diane onde a conversa girou em torno da vida profissional da criadora.

Em um determinado momento da entrevista, Lilian perguntou a Diane, qual era o segredo do sucesso de uma das suas mais famosas criações, o ‘vestido-envelope’. Com a serenidade e desprendimento de quem não precisa provar nada para ninguém ela respondeu:

‘I don’t know’

Não poderia existir resposta mais precisa. Na propaganda, assim como na moda, muitas coisas não se explicam e exatamente por não terem explicação que são tão importantes. É desta incompreensão que se alimenta o criativo. Boas idéias não possuem grandes explicações, não vem com manual, não tem floreios e não estão expressas em gráficos. Não estão nas estatísticas, não fazem parte da grade curricular de nenhum curso de graduação.

Não confunda relevância com notoriedade. Pelo menos 90% das pessoas mais relevantes da nossa sociedade são meros desconhecidos para população em geral. O verdadeiro artista tende a se sentir menos importante que sua obra e é exatamente assim que deveria ser.

Enquanto vivemos em um momento onde todo mundo quer seu minutinho de fama, esquecemos da relevância. Fama sem conteúdo é fugaz e ineficaz. Portanto quando você vê uma agência ou um profissional que se auto-elogia demais, preste mais atenção. Ou ainda aquelas agências que só são boas para criar campanhas para si próprias, são mais eficazes falando de si que de seus clientes.

Por isso o segredo da propaganda não está em ter um twitter, um orkut, um facebook, um site ou grandes investimentos em mídia impressa, rádio ou tv. O segredo está na estruturação da sua empresa, na filosofia de trabalho, na qualidade e necessidade do seu produto ou serviço, integrar isso a novas mídias é só um detalhe. Necessário mas não o principal. É como o fundamento e o telhado, um depende do outro,  mas sem um bom fundamento, não adianta caprichar na cobertura.

E não esqueça, bons profissionais você reconhece pela pupila e boas idéias não possuem manual, como diria Chicó ( O Auto da Compadecida):

‘Não sei…Só sei que foi assim…’

Se conselho fosse bom…

julho 19th, 2009 by Jeff Skas, under Mundo da Propaganda, Opinião. No Comments

Recebi a indicação do blog Massa Cultural, especificamente para um artigo publicado chamado 7×1, onde 7 profissionais de design e criação, deixavam suas dicas para a galera que está começando. Me chamou atenção justamente a primeira dica do primeiro entrevistado.

Diz assim:

1) Não use drogas para trabalhar. Não que eu seja contra as drogas e tal. Se quiser fumar um beck em casa, isso é problema de cada um. A nossa profissão já tem um estigma muito negativo em relação a isso. Profissionalmente o que eu vi até hoje é que as drogas atrapalham muito mais do que ajudam alguém no trabalho. Esse mito do designer doidão tendo um “insight” depois de fumar tem que acabar. Nosso trabalho é algo sério, que tem que ser feito com o máximo de atenção. Nossos clientes merecem isso. Claro que deve ter gente que consegue fumar e trabalhar numa boa… Mas é uma minoria. Digo isso mais pra quem está começando, que pode ainda acreditar nesse tal “glamour”…

(?) Conselho é assim, cada um dá o que quiser… Não sei se eu só trabalhei em agências caretas, mas sinceramente nunca ouvi falar em fumar maconha para ter uma idéia brilhante…Tá, um cliente já me disse: – Me diz que troço é esse que tu fuma para ter essas idéias, mas eu levei como brincadeira.

Achei que essa idéia de abrir as ‘Portas da Percepção’ tinha morrido junto com Huxley, Jim Morrison, The Doors e a cultura hiponga dos anos 60. (Huxley foi um escritor inglês que fez uso de uma substância chamada Mescalina, um alucinógeno extraído do cacto peiote. Suas experiências foram descritas no livro: “The Doors of Perception” que inspirou o nome da banda, a Mescalina era muito usada por tribos indígenas e tem resultados semelhantes ao LSD).

Enfim, se alguém me pedisse um conselho eu não daria nenhum, no máximo diria:

Quando você precisa de um conselho é porque já perdeu o jogo. Toda vez que você quis algo na sua vida, você não esperou realmente que alguém lhe desse um conselho, você foi lá e fez, do jeito que você achou melhor. Já dizia Humberto Gessinger:

“A dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza”

De que lado você está?

julho 2nd, 2009 by Jeff Skas, under Opinião. No Comments

Um dia lí em algum lugar que o que importa em um lutador, não é o quanto você é capaz de bater, mas o quanto você suporta apanhar.

Novamente minhas atitudes incomodam algumas pessoas. E quando você tem opinião e dignidade se torna um empecilho. Um mal a ser extirpado. Um alvo para críticas e calúnias. É a forma que encontram de tentar diminuir a importância daqueles que lutam de forma justa.

Parafraseando Renato Russo:

Quando querem transformar
Dignidade em doença
Inteligência em traição
Estupidez em recompensa
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal…

E você de que lado está?

Eu sinceramente não sei, por quais caminhos minhas atitudes me levarão, mas escolhi não desistir. Decidi que não deixarei que ninguém me convença daquilo que não sou. Decidi que não vou me corromper para fugir do embate. Decidi que vou provar que meus ideais estão corretos. Quando me chamarem de intransigente, saberei que tentam distorcer o que em verdade é minha perseverança. Que quando me disserem que uso um escudo de dignidade para esconder segundas intenções, estão tentando me convencer de que minha armadura é frágil e que o inimigo é invencível, porque quem quase morreu ainda está vivo, mas quem quase viveu já está morto.

Como disse Cazuza:

Se você achar que eu estou derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados. Porque o tempo, não para.

A crítica sempre foi o elogio da inveja. Ninguém chuta cachorro morto.
Para aqueles que se incomodam de serem confrontados com a verdade, um recado:

Eu aguento ‘apanhar’ muito mais e vou continuar a incomodar aqueles que transformam a propaganda em um joguinho sujo. Porque eu sou apaixonado pelo que eu faço e por amor a minha profissão vou até o fim, mesmo que esse fim, seja o meu.

Boas intenções, mal intencionadas…

junho 17th, 2009 by Jeff Skas, under Opinião. No Comments

Não é de hoje que boas intenções sempre me causam desconfiança. Duvidar de tudo, sempre fez parte da minha personalidade, e sinceramente certas coisas chegam a me incomodar.

Hoje assisti em um dos intervalos, uma propaganda sobre o ‘Crack’ que mostrava imagens bem fortes e o próprio comercial alertava para elas.

Quando você desenvolve uma campanha publicitária, seja para qualquer segmento, o que se busca é falar diretamente para o público que você quer atingir, onde quer que ele esteja. Justamente para alcançar o máximo de eficácia. Será que realmente profissionais experientes e grandes agências acreditam que alguém viciado em crack deixará de usar alguma droga olhando aquilo? Certamente esta pessoa nem está em casa assistindo tv.

Exatamente como comerciais sobre a pirataria de dvd, que você se obriga a assistir toda vez que aluga um dvd original na locadora. Você já assistiu um dvd pirata com este vídeo passando antes do filme?

E assim milhares de campanhas e ações ‘bem intencionadas’ tem na verdade intenções bem escusas. O que dizer das milhares de Ong’s que só servem para desvio de verbas?

Ignoramos o fato do quanto somos bombardeados por falsas intenções e promessas, correndo o sério risco de perder a noção correta do que é verdade e do que é mentira.

Os exemplos estão espelhados por aí.

Você viu a campanha das garrafas plásticas com carros acidentados dentro? Ótimo case não acha?
Talvez, para ganhar prêmios de publicidade, mas certamente com pouquíssima eficácia. Ou você realmente acha que uma pessoa inconsequente, acostumada a beber e dirigir vai realmente se deixar afetar por isso?

Quando uma simples ação publicitária será mais importante que o fato de saber que quanto você bebe e dirige, você pode matar no trânsito, você sabe disso, não precisa de ninguém lhe dizendo isso.

Chega de demagogia. Você acha realmente que vai salvar o planeta usando sacolas retornáveis? Acredite, é tudo oportunismo barato. O discurso moderno de sustentabilidade já até perdeu glamour. Quando eu vou ao mercado com 6, 7, 8 sacolas retornáveis, todos me olham quase como se olhassem um E.T.

Você viu o comercial sobre abuso sexual de crianças pelo próprio pai? Aquele que a atriz finge ser cega. Certamente a mãe que sabe que o próprio marido estupra a própria filha(o) após ver este comercial vai correr para o telefone denunciar o marido com problemas mentais.

Como dizia o velho ditado:

‘De boas intenções, o inferno tá cheio’

Quem sabe um dia todos prestem contas das suas falsas promessas!